Diversas áreas do conhecimento, como Ciências Contábeis, Arquitetura, Engenharia, entre outras, têm empecilhos nas suas metodologias de ensino. Entretanto, os discentes do ensino jurídico enfrentam dificuldades que podem incapacitar completamente o futuro no mercado.

Isso ocorre porque o Direito é um estudo bastante tradicional, além do fato de que os profissionais — inclusive os jovens que têm mais personalidade inovadora — também não se arriscam a inovar e buscar formas diferentes de estudo daquelas aplicadas na instituição de ensino.

Poucas instituições se preocupam ou sabem como solucionar esses desafios, bem como são poucos os que os conhecem. Porém, todo profissional do Direito cedo ou tarde deverá enfrentá-los para adquirir o conhecimento necessário para obter sucesso em sua profissão.

Ao longo da leitura desta publicação vamos expor um breve relato sobre o cenário dos cursos de Direito em geral, demonstrando as suas características e, posteriormente, vamos listar e explicar os principais desafios do ensino jurídico. Confira!

O cenário do ensino jurídico no Brasil

Basicamente, a metodologia de ensino de Direito do Brasil é marcada pela defasagem entre o que é teórico na advocacia e a realidade encontrada quando é preciso colocar em prática.

O curso de Direito é bastante teórico, pois uma grande porcentagem de seus debates é decorrente de conceitos abstratos, discussões sobre legitimidade de direitos e teorias sobre o comportamento humano na sociedade.

Muitos docentes e discentes acabam se aprofundando demasiadamente nesses temas e acabam deixando de lado o plano prático da profissão, que consiste na atuação do advogado nos processos judiciais e administrativos, solução de litígios extrajudicialmente, construção de argumentações etc.

Além disso, o foco de muitas instituições está em aulas preparatórias para o Exame da Ordem, concursos públicos ou para alcançar uma boa pontuação na prova do ENADE. Porém, esse desvio de foco acaba prejudicando o futuro do profissional, pois ele entrará em um mercado excessivamente acirrado, sem condições de competir contra seus concorrentes.

Os principais desafios do ensino jurídico

Diante da situação do ensino jurídico, é possível desdobrar um amplo número de desafios que os juristas encontram no seu trabalho. Nos tópicos seguintes, apontaremos os principais desafios que o advogado enfrentam no mercado. Confira:

Manter-se em constante atualização

Constantemente surgem novas leis — ou as já vigentes são atualizadas de forma impactante. Na rotina de trabalho do advogado a atualização é um requisito mínimo para que ele consiga manter seu negócio operando.

Por essa razão, é necessário estar sempre atento às revistas jurídicas, canais de notícias jurídicas, além de contratar cursos especializantes com conteúdo atualizado, entre outras medidas que alcancem esse objetivo.

Durante o curso de Direito, raramente o acadêmico deve encontrar necessidade de se atualizar para ser aprovado em determinada matéria. A urgência e o interesse podem surgir ao se deparar com um caso que precisa ser resolvido durante o estágio, mas não há garantia de que isso acontecerá.

Buscar uma relação entre teoria e prática mais real

Conforme citamos, o Direito é um curso bastante teórico, mas de nada adianta ter esse conhecimento se não souber aplicá-lo na prática. Por exemplo, o discente pode conhecer os diferentes debates, posições doutrinárias e entendimentos de um instituto, mas na prática não sabe quais palavras deve colocar no papel ou em qual peça jurídica deve usá-las.

Diversas instituições oferecem aulas sobre processualismo e ensinam seus acadêmicos a elaborar as peças básicas. Contudo, isso não é suficiente para o discente: é preciso que ele saiba como construir argumentos, solucionar litígios de forma prática, fácil e, sempre que for possível, pacífica.

Eliminar o estigma do ensino a distância

A cultura tradicional do Direito pode impedir que os profissionais aproveitem os meios inovadores para expandir seu conhecimento na área.

Muitos indivíduos acreditam que somente conseguirão absorver o conteúdo corretamente se estiverem fisicamente em uma sala de aula, com um professor no local e ambiente adequado. Porém, o Ensino a Distância – EAD oferece alguns diferenciais que o ensino presencial é incapaz de oferecer:

  • flexibilidade: o discente tem seu horário de aula flexível, podendo assistir aos conteúdos durante a tarde, manhã ou noite;

  • acessibilidade: o acadêmico pode assistir às aulas no conforto de sua casa, no descanso entre trabalhos e outros lugares;

  • reforço: as aulas podem ser assistidas quantas vezes forem necessárias para absorver melhor o conteúdo;

  • economia: pelo fato de não ser necessário se deslocar até a instituição de ensino, o acadêmico não arca com locomoção, alimentação e outros gastos;

  • melhor custo-benefício: como não é necessário alugar salas, cadeiras e outros materiais para oferecer a aula, o curso EAD costuma ser mais barato que o presencial, sem reduzir a qualidade da aula.

As características listadas podem ser vantajosas, ou não, ao interessado; isso dependerá do seu perfil. Porém, deixar de considerá-las puramente pelo fato de ser EAD é um estigma que deve ser enfrentado no ensino jurídico.

Competir no mercado

De acordo com os números levantados pelo Conselho Nacional de Justiça – CNJ, desde o dia 18 de novembro de 2018 o Brasil tem 1 milhão de advogados. A informação foi extraída do cadastro nacional de profissionais do Conselho Federal dos Advogados do Brasil.

Além disso, há centenas que se formam a cada ano, e uma parcela relevante deles almeja apenas advocacia e carreiras públicas por meio de aprovação em concursos, o que torna tudo ainda mais acirrado.

É necessário que o ensino jurídico vá além das teorias e oriente o profissional a criar diferenciais competitivos, conhecer estratégias para conquistar clientes, adquirir conhecimentos de gestão e entrar no mercado capaz de alcançar sua devida fatia.

Conhecer as demais carreiras do Direito

É inegável que se trata de um ramo excessivamente concorrido, fazendo com que seja bastante provável que, em determinadas regiões, não haja demanda suficiente para atender à oferta de juristas.

Diante desse fato, é essencial que o ensino jurídico englobe as demais carreiras do ramo, orientando os acadêmicos sobre suas diversas opções e as tendências dos próximos anos. Alguns exemplos são:

  • pesquisa jurídica;

  • consultoria;

  • assessoria;

  • marketing jurídico;

  • área acadêmica;

  • consultor legislativo;

  • mediador e conciliador;

  • advogado correspondente;

  • árbitro;

  • compliance jurídico;

  • entre outras.

Tornar-se um empreendedor jurídico

O empreendedorismo jurídico consiste na aplicação de técnicas de empreendedorismo no meio jurídico. À primeira vista, muitos advogados acham que se trata da mercantilização da profissão, mas consiste apenas da aplicação de gestão de pessoal, organização financeira, planejamentos estratégicos e técnicas afins.

Há advogados que têm todo conhecimento jurídico para beneficiar ao máximo seu cliente, uma ampla rede de contatos e um bom jogo de cintura. Entretanto, não consegue causas suficientes ou recusa clientes pelo excesso de trabalho, o que impede o crescimento do escritório.

Isso ocorre pelo fato de o ensino jurídico não preparar o profissional para gerir seu escritório de forma eficiente. Ao se formar, o advogado acaba não sabendo como delegar tarefas, liderar a sua equipe, expandir o escritório ou elaborar estratégias de marketing jurídico.

O ensino jurídico brasileiro se encontra defasado e uma das razões é o fato de as instituições se restringirem a metodologias antigas de ensino. Por esse motivo, é fundamental buscar uma instituição cujo foco é a sua preparação no mercado.

Uma das principais formas que o advogado pode evoluir na carreira é realizando um curso de pós-graduação. Confira aqui os 5 principais benefícios fazer esse investimento!

 

FMP - Fundação Escola Superior do Ministério Público
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A Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP) foi criada em 30 de novembro de 1983, por Promotores e Procuradores de Justiça do Estado. É uma instituição de ensino privado, especializada no ensino jurídico, por isso carrega o nome do Ministério Público, órgão responsável pela defesa dos interesses da sociedade. Com mais de 35 anos de atuação na preparação e qualificação de estudantes e profissionais da área jurídica, a FMP tem foco absoluto no Direito e possui a expertise de quem é Superior em Direito.

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